Episiotomia: a Mutilação Genital Brasileira

 

Hoje em dia, a grande maioria das mulheres brasileiras ainda é submetida a Episiotomia de maneira rotineira durante o trabalho de parto. A seguir, vamos tentar entender um pouco mais a respeito desse procedimento.
Espero que gostem!
A Episiotomia é um procedimento cirúrgico que consiste em fazer uma incisão na pele, gordura e músculo da parturiente, bem na hora em que a cabeça do bebê está nascendo. A Episiotomia geralmente é feita em direção à coxa ou ânus da mulher. Utiliza-se um bisturi para fazer a incisão inicial, e depois aumenta-se essa incisão com uma tesoura cirúrgica.

Tipos de Episiotomia

Durante muitos anos, acreditou-se que a Episiotomia fosse imprescindível para preservar a musculatura perineal da mulher. Hoje já se sabe que não é o caso: pesquisas já apontaram que a Episiotomia não melhora os resultados perinatais, não facilita a cicatrização da área e não preserva a musculatura perineal. Além disso, não existem indicações precisas de quando essa intervenção deveria ser usada. Na verdade, a Episiotomia é uma intervenção desnecessária, que é geralmente feita apenas por hábito do médico.


Após feito o corte na vagina da mulher no momento do nascimento do bebê, é necessário reparar os danos à área. A Episiorrafia é a sutura da Episiotomia. É muito difícil estabelecer o tamanho normal de uma Episiorrafia, já que o tamanho da Episiotomia pode ser bastante variável. Já ouvi relatos de mulheres que levaram mais de 35 pontos na Episiorrafia, apesar da média em geral girar em torno de 10. Isso acontece porque, muitas vezes, os médicos introduzem as mãos na vagina da mulher, e aumentam a Episiotomia manualmente (pele é tecido, quando se faz um cortinho e estica, ela rasga!).

Aumentando manualmente a Episiotomia.

A Episiotomia é, muitas vezes, a parte mais traumatizante do parto. Todas as mulheres, sem excessão, temem passar por isso (algumas mulheres têm tanto medo que preferem optar por fazer uma cesariana só para escapar da Epísio). As que são submetidas ao procedimento muitas vezes relatam sensações extremamente desagradáveis, como a sensação de ter sido abusada ou mutilada. Efetivamente, por não haver indicação precisa e ser feita apenas por costume, a Episiotomia poderia ser considerada uma mutilação genital. Vale a pena precisar que muitas vezes a Episiotomia é feita sem o consentimento da mulher, e às vezes sem aviso prévio nem anestesia, o que faz com que seja um procedimento extremamente violento e doloroso, tanto física quanto psicologicamente.

Sensação de ser abusada e mutilada.

As consequências da Episiotomia a longo prazo são variáveis. Algumas mulheres cicatrizam rapidamente, já outras têm problemas com a Epísio por até anos após o parto. Muitas mulheres relatam sentir muito incômodo na área da Episiorrafia, durante até semanas após o parto. Algumas mulheres relatam perda de sensibilidade na área da Episiorrafia, às vezes permanentemente. Algumas mulheres são tão mutiladas que chegam a precisar de cirurgias reparadoras após uma Episiotomia mal-feita.


Não restam dúvidas de que a Episiotomia é um procedimento obsoleto: não há indicação para seu uso, e seus supostos benefícios não compensam seus riscos. Porém, no Brasil, ainda é um procedimento efetuado de rotina em praticamente 95% das mulheres que têm parto vaginal. Porque isso? Porque a Episiotomia faz parte da ritualística do parto: é um procedimento ritual que dá a ilusão ao profissional de que ele está controlando o que está acontecendo. É apenas uma ilusão, infelizmente: uma Epísio não impede de haver laceração natural, não diminui significativamente o tempo do expulsivo, não impede sequelas na musculatura do assoalho pélvico e ainda acaba aumentando a perda de sangue durante o parto!



A Episiotomia na cena de parto se assemelha a um ritual religioso: feito sempre da mesma maneira, sem questionamento nem modificação, há mais de dois séculos! Já está mais do que na hora de mudar isso! E essa mudança não vai vir da classe médica, acostumada e acomodada com o procedimento - apesar de alguns poucos obstetras, como a Dra Melania Amorim, já terem aposentado a prática. Essa mudança tem que vir de nós, mulheres, as donas da vagina e do parto.


Ninguém vai se preocupar com nossas vaginas no nosso lugar. Nós é que temos que dizer: "Chega!". Nós é que precisamos parar de aceitar qualquer tratamento que nos é dado em nome da medicina e começar a exigir que o atendimento seja feito com base em evidências científicas atuais, e não em crenças do século retrasado. Não dá mais para esperar que outros defendam nossos interesses no nosso lugar. Precisamos nos mobilizar! E o primeiro passo para isso é a denúncia: é preciso expor o que está a acontecendo, é preciso mostrar que isso não será mais aceito, e é preciso exigir que as autoridades competentes façam algo a respeito.

Todo esse movimento começa com a gente. E aí, vai fazer sua parte?
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